quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Estereótipos e outros retratos do Brasil nos Estados Unidos




Estereótipos e outros retratos do Brasil nos Estados Unidos:
Literatura, música e cinema

PALESTRA DE DÁRIO BORIM JR.
NO CONEXÕES ITAÚ CULTURAL 2017

Quarta 8 de novembro de 2017 | 18h

Literatura e outras artes: ensino e pesquisa em chave comparada

Propostas para debate:
1) Apesar da variedade da produção nacional, fora do país o cinema, a música e a literatura brasileiros tem um público inicial que busca estereótipos do Brasil.
2) Existe espaço para obras que vão além, mantendo-se propriamente brasileiras, mas alcançando dimensão universal?
3) Como essa problemática aparece no ensino e na pesquisa sobre as artes do país?

Com: Dário Borim Jr., Saulo Neiva ​e Lidia V. Santos
Mediação: Fernanda Guimarães

Inicialmente, o meu muito obrigado a todos os responsáveis por esse belo evento – em particular a Claudiney Ferreira, João Cezar de Castro Rocha e Felipe Lindoso, que me fizeram o convite, e a Jahitza Balaniuk, que coordenou múltiplas logísticas.
A temática proposta para esta mesa tem três partes – pela ordem disposta, há uma asserção que relaciona duas ideias, seguidas de duas perguntas que se entrelaçam. Vou dialogar com a proposta seguindo essa mesma ordem.
Concordo plenamente com a primeira ideia: a produção cultural nacional é muito variada. Dos pampas temperados até o norte equatorial da Amazônia – das mãos de indígenas que pintam os próprios corpos no Pará até os pés agitados que dançam um partido alto no Rio de Janeiro – é vasta e cativante a nossa expressão artística nacional.
A segunda ideia da primeira afirmativa é muito mais controversa do que a primeira: a noção de que o cinema, a música e a literatura produzidos neste país tenham um público inicial que busca estereótipos do nosso país fora do Brasil.
Muito mais que nas obras de brasileiros traduzidas ou mesmo veiculadas em português no estrangeiro, desde que se publicaram os poemas de Gregório de Matos em Lisboa, até os nossos tempos de ensaios e narrativas de Lya Luft em inglês e outros idiomas, os estereótipos do Brasil aparecem muito mais frequentes nas obras literárias, autobiográficas ou etnográficas de estrangeiros que escrevem sobre o Brasil. Isso, desde maio de 1500, com a "Carta de Pero Vaz de Caminha", até os dias de hoje, em tantos filmes de Hollywood. O documentário Olhar estrangeiro (2016), da carioca Lúcia Murat, por exemplo, discute o Brasil retratado nas películas norte-americanas e europeias. O louvável trabalho de Murat é uma imperdível fonte de humor negro e perplexidade!
Dos escritores brasileiros com alguma repercussão crítica ou grande sucesso comercial no mercado norte-americano, somente me recordo de Jorge Amado como exportador de algo que se poderia entender por apelo do exótico. Porém, não sei se esse apelo, mesmo na obra do baiano, é mais forte do que aqueles outros, os da sensualidade e do erótico voyeur de uma Gabriela, cravo e canela, ou de uma Dona Flor e seus dois maridos.
Por outro lado, na esfera da repercussão acadêmica, estuda-se muito a obra de Machado de Assis e de outros autores canônicos do século XIX, os versos modernistas das três fases, o neo-realismo de Graciliano Ramos, Rachel de Queirós, e a diversidade contemporânea de Silviano Santiago e Ana Maria Miranda, sem destaque para o exótico, apesar do inusitado novo mundo que esses escritos possam configurar para o leitor nacional ou estrangeiro.
Sucesso brasileiro estrondoso, na sala de aula e nos periódicos e livros acadêmicos, é de fato a técnica narrativa diferenciada, o existencialismo preponderante, e o feminismo sutil nas obras da instigante e apaixonante Clarice Lispector. Sem dúvida, seu descobrimento pela crítica feminista, principalmente a francesa e a norte-americana, se fez instrumental para tal sucesso. Quando era estudante de doutorado na Universidade Minnesota-Twin Cities, certa vez trabalhei como assistente de pesquisa bibliográfica para o professor e tradutor Ronald Sousa. Em 1993, ainda no início da febre lispectoriana, encontrei mais de 900 artigos e livros que a discutiam!
Também tenho tido outras formas de aproximação e intervenção na cultura brasileira pelo contato direto ou indireto com as comunidades dentro e fora das universidades. Durante alguns anos escrevi e publiquei crônicas para O Jornal, periódico semanal dos lusofalantes da região de Fall River e New Bedford, no sul de Massachusetts. A crônica brasileira é um tipo de criação literária muito presente na minha carreira acadêmica, e por isso tenho trabalhado nos últimos oito anos como editor-contribuinte de uma seção do periódico Handbook of Latin American Studies da Biblioteca do Congresso em Washington. Esse contato com o leitor transcorreu paralelo ao nosso convívio através de múltiplos concertos musicais que produzi ao longo de mais de dez anos. Para o campus da UMass Dartmouth, ou para seu entreposto no centro histórico de New Bedford, levei a arte ao vivo de músicos lusofalantes residentes, por exemplo, no Brasil, Cabo Verde, Canadá, França, Israel, Portugal e Moçambique, entre outros. A comunidade sempre prestigiou tais eventos, e neles pudemos nos conhecer melhor e juntos apreciar um pouco do melhor que o mundo lusófono pode oferecer.
Fundos para esses eventos partiram da administração da Universidade, ao nível da Reitoria e do colegiado, e, principalmente, do Centro de Estudos e Cultura Portugueses, que permanece extremamente ativo desde sua fundação, quatro anos antes de minha chegada a Massachusetts em agosto de 2000. Além de patrocinar e organizar congressos e colóquios internacionais, o Centro administra uma cátedra que anualmente contrata professores visitantes de grande renome no mundo acadêmico e literário para trabalhar conosco por um semester, entre eles a antropóloga brasileira Bela Feldman e o escritor angolano Ondjaki.
O Centro tem mantido, através da sua própria editora, a Tagus Press, uma prolífica agenda e um alto calibre de publicações reconhecidas internacionalmente, inclusive uma série de Literatura Brasileira em Tradução, onde já saíram em inglês, por exemplo, Agosto, de Rubem Fonseca, e O eterno filho, de Cristovão Tezza. De fato, nos últimos 21 anos, pela editora do Centro já saíram mais de 70 volumes de obras literárias ou teórico-críticas, cujos lançamentos levaram ao campus figuras distintas, como José Saramago, Lídia Jorge, Silviano Santiago, e muitos outros grandes nomes da cultura lusófona.
O Centro também desenvolve e mantém atividades em parceria com os modernos Arquivos Lusos-Americanos Ferreira-Mendes, outra distinta organização da UMass Dartmouth voltada para os estudos lusófonos, que acolhe e serve a pesquisadores vindos de diversas partes do mundo. Também atrai tais investigadores uma outra instituição local, o belíssimo Museu da Baleia, de New Bedford. Como se sabe, foi muito significativa contribuição açoriana e cabo-verdiana à indústria da caça à baleia, história na qual se destaca a cidade de New Bedford como seu principal porto.
No tocante à música, em particular, a primeira assertiva da proposta para debate nesta sessão me parece ainda menos certeira. Talvez a grande exceção seja a da forma como a sambista de rádio e depois atriz carnavalizada Carmen Miranda representou o Brasil nos teatros de Nova York e nos estúdios de Hollywood. Sua representação caricatural, híper-estereotipada, entretanto, é muito mais caracterizada pela tipo de dança, vestimenta e trejeitos do que pelo que se poderia postular de exótico nas letras dos sambas que ela cantava em português — letras, claro, que quase nenhum norte-americano entendia. Vale destacar um belo e seminal estudo da imagem icônica de Carmen Miranda é a de Kathryn Bishop-Sanchez, publicada um ano atrás: Creating Carmen Miranda.
Em geral, a música composta por brasileiros – e interpretadas ou não por brasileiros, nos Estados Unidos – é de alta qualidade e grande variedade. A história registra a participação de brasileiros em festivais de jazz já no início do século XX, como no famoso evento de Newport, Rhode Island, a 40 minutos da nossa instituição, a UMass Dartmouth. Tocava-se o tal de “tango brasileiro”, o nome que muitos ainda davam ao que mais tarde se definiria como choro ou chorinho.
Na própria Califórnia dos tempos de Carmen Miranda, isto é, nos anos 40 e meados dos anos 50, nada menos que um gênio nascido no interior de São Paulo, chamado Laurindo Almeida, encantava com seu violão as platéias que dele ouviam música clássica, de um Bach ou Ravel, por exemplo – porém, ao ritmo do samba, bumba meu boi e maracatu. Também ouviam do próprio Laurindo Almeida a música brasileiríssima de fino trato nascida da imaginação de outro gênio da nossa história, Heitor Villa-Lobos.
Para os que não sabem, tem mais: Laurindo Almeida se tornou um exímio compositor e intérprete do jazz, ao ponto de receber não apenas quatro expressivos prêmios Grammy em música clássica, mas também vencer a Miles Davis, Henri Mancini e outros bambas do ofício – obtendo, ele, um filho da pequena cidade paulista de Prainha, em 1964, um Grammy, esse na categoria Best Instrumental Jazz Performance.
A partir do bagunçado, atropelado – e, mesmo assim, fascinante e memorável – concerto no Carnegie Hall, no sul de Manhattan, em 1962, a história da bossa nova nos Estados Unidos é razoavelmente conhecida no Brasil. É uma jornada brilhante e marca indelével de uma prata fina da fornalha cultural brasileira, que encantou e seduziu não só os norte-americanos, mas também os japoneses, os turcos e os europeus, desde a Espanha cigana à Suécia viking.
Nem se precisa dizer, eu acho, que a bossa nova que se imortalizou no canto de João Gilberto e nas harmonias de Tom Jobim não tem nada de exótico, fácil ou repetitivo. Diz-se entre artistas e historiadores da música nos Estados Unidos que não há astro do jazz norte-americano que nunca tenha gravado ou interpretado Jobim. Por outro lado, já ouvi de uma conhecida, que, no Japão, João Gilberto certa vez recebeu um aplauso de 42 minutos ao final de um concerto. Muitas lendas marcam sua biografia. Essa pode ser mais uma, ou não.
Após a chegada dos influentes percussionistas e multi-instrumentistas do naipe de Naná Vasconcelos, Airto Moreira, Thiago de Mello e Hermeto Pascoal, nos anos 70, chega a vez da MPB aterrissar na Terra do Tio Sam na década de 1980, com uma ajudazinha de David Byrne, do lendário grupo Talking Heads. Certa vez, entrei num cinema de Uptown, em Minneapolis, e o que ouvi pelos alto-falantes antes do filme foi puro mel: a arte de Gilberto Gil, Caetano Veloso, Milton Nascimento, Clara Nunes e Marisa Monte. A MPB estava mais forte do que nunca nos Estados Unidos. Brasileiros a partir de então receberiam vários prêmios Grammy na competitiva categoria world music.
Uma década depois, isto é, no fim dos anos 90, era a hora dos Mutantes, do Tom Zé e de outros sons tropicalista – os norte-americanos finalmente descobriam a Tropicália, mais de 20 após o movimento agitar o nosso chão e cruzar os nossos céus ao sul do Equador. A partir de então, naquele fim do século XX, fora do Brasil os tropicalistas passavam a exercer forte influência sobre a música internacional lá rotulada de “world music”. Os artigos do editor de música do New York Times, Jon Pareles, retratam muito bem esse, digamos, Renascimento daqueles vanguardistas baianos e paulistas.
Hoje em dia, a presença da música brasileira no mundo é distinta referência. Uma escola de música como a Berklee, de Boston, considerada a melhor do mundo em jazz e world music, envia agentes ao Brasil anualmente. São caçadores de jovens talentos, para quem a escola oferece bolsas de estudos integrais, com direito a razoáveis subsídios para moradia e alimentação. São cantoras, percussionistas, violonistas, pianistas, etc., que nos representam muito bem lá fora. Resta dizer que a mesma Berklee School of Music já ofereceu o título de Doutor Honoris Causa a pelo menos dois de nossos músicos, Milton Nascimento e Rosa Passos.
Ademais, a paixão pela música brasileira entre as pessoas que moram nos Estados Unidos, Itália, Espanha e Portugal, entre outros países, sustenta inúmeras turnês tanto de um fantástico conjunto de choro, como o das irmãs Ferreira, o Choro das Três, quanto da arte sem rótulo de uma Céu, de uma Luíza Maita, ou mesmo de um Seu Jorge – quem recebeu, no ano passado, um registro para a posteridade: o Dia de Seu Jorge, no calendário oficial da cidade de Boston. A honraria não é pra muitos santos.
Em relação ao cinema, sustento a mesma posição, a de que, pelo menos no mundo de hoje, o cinema brasileiro não depende de estereótipos ou exotismo para atrair público no exterior. A dinâmica que me parece estar dando algum resultado é o múltiplo patrocínio de agentes públicos e privados do Brasil em complementar parceria com produtores estrangeiros.
Quanto à pergunta sobre a existência ou não do espaço para obras que vão além do exotismo e do estereótipo, mantendo-se propriamente brasileiras, mas alcançando dimensão universal, penso que sim, que há tal espaço, dentro de vários limites e oportunidades criados por diversos parâmetros.
No caso da literatura, gosto muito das conclusões a que chega Carlos Minchillo em sua tese de doutorado defendida na USP e publicada pela EDUSP em 2015 sob o título de Erico Verissimo, escritor do mundo. O pesquisador paulista explora magistralmente os impasses e entraves que escritores vivem num tempo de massificação do consumo de tudo, e por que não, de bens culturais. A inserção do livro brasileiro num cenário transnacional, em plena era deste mercado globalizado, enfrenta o que Minchillo chama de “fatores intra e extratextuais que interferem no trânsito de obras pelos mercados editoriais” (21). Nesses mercados ocorrem a aceitação, rejeição ou indiferença por toda uma “cadeia de atores sociais e profissionais – editores, agentes literários, pareceristas, marqueteiros, capistas, resenhistas, críticos, acadêmicos etc – que atuam na avaliação e triagem de títulos” (21).
Concordo sem restrições com a síntese de Minchillo: o sucesso ou fracaço de uma obra ou de um escritor, com sua maior ou menor inserção no mercado nacional e internacional, “não são determinados exclusivamente pelas linhas do texto literário” (21). De fato, “derivam de um feixe de ações e discursos de múltiplas naturezas – política, econômica, mercadológica, diplomática, ideológica – e constituem, portanto, uma história escrita por diversas mãos e que ecoa diferentes vozes” (21-22).
A resposta para a última pergunta sobre ensino e pesquisa fica para esses dois últimos minutos da minha fala e, também, para o que nos restar de tempo para discussão.
Bem além de algo extremamente importante para mim mesmo, isto é, a concretização de um de meus maiores sonhos na vida, meu programa de radio dedicado a música luso-afro-brasileira, o Brazilliance, tem atingido metas que jamais imaginei. No ar nos últimos 16 anos, o Brazilliance tem veiculado muitas edições temáticas. Por exemplo, um programa com três horas de canções compostas exclusivamente por mulheres brasileiras. Outro, de canções gravadas por músicos da diáspora de lusofalantes. E um terceiro, com discussão e leitura de narrativas do século XIX que tematizam a própria música na literatura brasileira.
Alguns de meus programas funcionam como espécie de trilha sonora dos cursos que ensino, como um totalmente dedicado a Caetano Veloso, e outro, exclusivamente enfocado em Vinicius de Moraes. O Brazilliance também tem estabelecido laços entre minha pessoa pública e a comunidade de ouvintes através de entrevistas com músicos locais ou visitantes, jornalistas, líderes politicos, e pesquisadores das humanidades voltados para o mundo lusófono. Também tenho levado para os estúdios da rádio, a WUMD, vários dos meus alunos de todos os níveis de proficiência, desde a tábula rasa do Português 101 até os seminários do nosso programa de doutoramento em Estudos Luso-Afro-Brasileiros e Teoria. Meio por acaso descobri a Luso-América do Norte em agosto de 2000, uma região com seis cidades onde metade da população descende de brasileiros, cabo-verdianos e portugueses. E por lá fiquei, com um pé dentro, e um pé fora, no país que me viu nascer e que, na verdade, dentro do peito, nunca deixei.
É isso aí. Obrigado!










terça-feira, 27 de junho de 2017

WUMD 89.3 FM Shut-Down: Time to Refuse, Rethink and Rebuild

WUMD 89.3 FM Shut-Down: 
Time to Refuse, Rethink & Rebuild





On WUMD 89.3 FM last hours, today, June 26, 2017, its wonderful people showed passion for music and radio, classy acceptance of a bad deed for the South Coast community, and inspiring compassion for each other in times of mourning the gag on FM airwaves! The poster above, hanging on a WUMD Studio A wall, caught my attention: it says it all.

WE REFUSE the sale/donation, especially the unethical, undisclosed, and undemocratic process by which the deal was signed, since no prior information was revealed and no discussion or voting ever happened about the deal, among us all, professors, staff, students, and WUMD members.

WE RETHINK the way WUMD can help more people listen to on-line radio.

WE REBUILD our trust in a better future other than this hovering frustration and sadness over the death of our 89.3 FM. The smiles and joy today at the studio were not for the deal or the future! We celebrated our history and our 42 years alliance of love and talent and goosebumps with the South Coast community.


When about ten minutes of broadcasting remained, silence and sorrow overcame us. They lingered within us. When the General Manager spoke to our audience, and soon followed the protocol of shutting the station off, I saw no one not crying. Let that be a statement for the UMass Dartmouth to remember. Our listeners, in turn, will remember for a long time when the radio died for them.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Brazilliance: Personal, Global and Local Community Links



Brazilliance: Personal, Global and Local Community Links
(A Speech for Viva Portugal Day* in New Bedford, MA, USA)
Dário Borim Jr.

A Personal Snapshot
On air for fifteen and a half years, Brazilliance has always meant that a colossal personal dream of mine has come to fruition. For me, a Brazilian literature professor and author from the state of Minas Gerais, Brazil, sharing my passion for music through radio is like playing my favorite tunes to a gathering of friends in my very home. It is much more than that, of course, since there are no walls to radio’s endless living-room of communities. From the very beginning, Brazilliance has been a radio show dedicated to the Luso-Afro-Brazilian music and culture. On December 4, 2001, it started out as a morning show on WSMU, 91.1 FM, which, a few years later, turned into WUMD, 89.3 FM, when Brazilliance had already moved to Thursdays, 3:00-6:00PM. The first song I ever played on my own radio show brought one single bulky tear to my face, while I temporarily struggled with a gag in my throat. The tune was “Lua, Lua, Lua, Lua”, from the 1975 CD Jóia,  by Caetano Veloso. The lyrics are short, challenging to translate, and a bit enigmatic, but totally worth remembering:

Lua, lua, lua, lua 
// Moon, moon, moon, moon
Por um momento meu canto 
// For a moment my song
Contigo compactuar 
// Strikes up a pact with you
E mesmo o vento canta-se 
// And even the wind plays itself out
Compacto no tempo 
// Compressed in time
Estanca 
// It breaks
Branca, branca, branca, branca 
// White, white, white, white
A minha, nossa voz atua sendo silêncio 
// My voice, our voice, acts in silence
Meu canto não tem nada a ver 
// My song has nothing to do
Com a lua
// With the moon

(Veloso’s performance and his poem are available at www.youtube.com/watch?v=egb-EcydMKo.)

Global Links
I believe it was some eight or nine years ago that I heard that WUMD 89.3 FM had started broadcasting our shows live, on-line. It meant the world to me.
Soon people who had been listening to us through the web started writing to me. I had realized much earlier that the world of music was indeed fascinating for many reasons, but now I knew musicians depended on and loved building bridges, connecting one another and linking concert producers, studio managers, media folks, you name it.

There was a time when the University of Massachusetts Dartmouth’s Center for Portuguese Studies and Culture had a much larger operational budget. Within a decade, Brazilliance helped me connect with and invite to perform on campus a plethora of musicians from Brazil, Canada, Cape Verde, France, Israel, Mozambique and Portugal, all of them somehow developing their art under the influence of Lusophone music and culture. To cite a few, we had São Paulo renowned pianist Maria José Carrasqueira, Cape-Verdean American jazz vocalist Candida Rose, Mozambican-Canadian pianist Matsinhe, French flutist and musicologist Odette Ernest Dias, Tel Aviv-based Trio Tucan, award-winning Mozambican singer-songwriter Stewart Sukuma, and Portuguese-American brass-band leader Miguel Muniz and his electrifying and multi-cultured Farra Fanfarra, centered in Lisbon. In a nutshell, very few moments in my life have brought me the same magnitude of joy that emanates from my playing music and sharing it with listeners in the South Coast or in various corners of the US and multiple parts of the world – many of them my friends, or soon to be my friends.

A long string of stories have unwound throughout the last one and a half decades. It is actually curious how Brazilliance has had a role in international romantic relationships. The first friend I ever made in the South Coast became the greatest spokesperson and public relations for the show. Now retired, philosophy professor Rick Hogan once printed 1,000 business cards featuring Brazilliance information, so that whenever and wherever he traveled around the world – and he did much of it – he would promote the show at bars, hotels, or street events. It was, in a way, his gift back to me, since Brazilliance had numberless times helped him have a “date” with his Valencian girlfriend, Blanca Rodrigues. When she was in Spain and he in Fairhaven, they would enjoy Brazilliance together, one on FM, the other on the web. Rick and Blanca would ask me to dedicate songs to each other, thus helping them feel a bit closer through Lusophone music.

Community Links
The word community may relate to a wide variety of concepts tied to the gathering of people connected by their faith, fate, common interests or other attributes. As far as Brazilliance is concerned, “community” now is not a global construct, as it was in the previous section of this talk. It applies, instead, to different groups of people on and around UMass Dartmouth campus. My radio show has brought into the studio and onto the airwaves not only local musicians, such as mandolin player Marilynn Mair or classical guitarist Antonio Massa Viana, but also my own students, or College Now students, or cultural agents, such as Tagus Press director, Prof. Christopher Larkosh, other professors, and journalists.

I continue to have the opportunity to present thematically-oriented shows. Celebrating Women’s History Month, for instance, I once did a double show, that is, a six-hour long program, on Brazilian women singers and songwriters whose name initials covered the entire alphabet. Another show featured music by Lusophone expatriates around the globe. A third example was a mix of lecture and songs based on literary works that evoke music as a fictional theme. Beyond that, I suspect that the longest radio production ever made in the United States on one single Lusophone musician was mine. In 2003, a Brazilliance special edition on Veloso’s life and cultural legacy ran on air for five weeks. It was 13 and a half hours long.

For me, some of the most enjoyable special editions have been those in connection with my scholarship and my teaching, like the on Veloso -- that Bahian pop-star, a seminal vanguard singer-songwriter and a highly respected intellectual. As a scholar I have developed a line of research that intertwines literature and music through various lenses of the cultural studies perspectives, including gender studies. The very first literature class I ever thought, back at the University of Minnesota in 1994, was an advanced undergraduate course on Veloso’s poetic music and its dialogs with the literature written in roughly the same time-frame, the 1960s, 70s, and 80s (Clarice Lispector, Guimarães Rosa, and João Cabral de Melo Neto, for example).

I am also honored that a good number of my undergraduate and graduate students have produced or co-produced and presented with me live shows of their own. More recently, a current UMass Dartmouth graduate student, Fausta Boscacci, prepared and presented an entire show on that Bahian bard. In addition, not too long ago, another graduate student, Marina Bertollini, developed and broadcast with me a full three-hour program on Rio Grande do Sul singer Elis Regina.

No show, however good, could conceivably go on forever, said an unsettled American writer by the name of H. L. Mencken. That’s why we must be concerned with every opportunity at hand and with the legacy we leave behind, either for future generations or for those who could have but actually did not enjoy radio productions that may disappear, like Brazilliance.

On the dark side of this scenario, there looms the possible demise of WUMD as a radio station. UMass Dartmouth top administration has signed a deal with Rhode Island Public Radio which would silence our FM broadcasting forever. Brazilliance and WUMD at large would be reduced to on-line streaming only! How pathetic, if no more than 6% of the US population presently listens to Internet radio! Many of us know that our station is a Commonwealth asset of the sort that cannot be sold to a different state without proper state approval. In the meantime, the Federal Commission on Communications is examining that so-called “sale” of WUMD’s 89.3 FM license, a deal packaged as “donation” in exchange for 1,5 million dollars, broken peanuts in the large scope of the university’s budget.

On the bright side, the acclaimed Pacifica Radio has expressed serious interest in syndicating my show and sharing it nationwide. There is more: one of my beginning Portuguese language students asked me, last semester, to tutor him into the magic of radio production and broadcasting. His name is Michael Benjamin, a Portuguese-American millennial. He and I are delighted that, now, he himself has his own show on WUMD. It is called Wild World. It runs on Wednesdays 3:00-6:00PM. I am very glad to add that Mike also plays a great number of Lusophone music. On yet another bright side, librarian Sonia Pacheco tells me that Claire T. Carney University Library is willing to archive and make available on-line, for all interested, a great number of past and future Brazilliance shows.

There is a great deal of sadness in me and in many other souls out there these days, when each of us, staff and listeners alike, thinks of WUMD 89.3 FM. The muzzle or the murder, whatever metaphor we choose, will not stop us from reaching out to and sharing our passion for music and culture with our personal, global and local communities, no matter what medium we must use. We at the station are disgusted and stunned, but also proud and resilient.


*This speech has not been publicly delivered due to a scheduling conflict. In the meantime, the sale of WUMD to RIPR has been approved by the FCC (Federal Commission on Communications). On June 26, 2017, our FM radio station will pass away as such. It is time to mourn its death, but it is also time to celebrate its history of long lasting impact and achievements. We will continue to do our best while wearing another hat: WUMD.ROCKS, our new name and website already available at www.wumd.rocks.

sexta-feira, 10 de março de 2017

Soccer Woes and Cheers



Soccer Woes and Cheers
Dário Borim Jr

I love soccer. What’s the big deal? I know so many people do too, around the world, but I need to say it again, because the occasion calls for it. I will mention the final score, so do not read these notes, in case you have recorded and not seen yet the European Champions League match this afternoon between the giants Barcelona and Paris Saint-Germain, in Spain. It seems that after Brazil’s surreal 1 x 7 loss to Germany in the World Cup, in Belo Horizonte, nearly three years ago, huge defeats or huge wins are no longer that big of a deal. Soccer lovers still love picking on friends, though, when some shameful performances stain the image of their teams. It is true that Brazilians have experienced a bit of a revenge by grabbing the unprecedented Gold Medal while defeating the Germans in the last Olympics, in Rio.
Nonetheless, we remain the targets of some mockeries here and there. A few weeks ago, a fellow soccer-loving professor at UMass Dartmouth felt like mocking me. This time it was not a loss by Brazil. Brazil has actually bounced back and presently stands number one on the FIFA’s list of best national teams in the world. We are basically the first and only nation technically on the brink of qualifying for the 2018 World Cup, to take place in Russia.
This time my colleague assumed that my European team was Barcelona, so he was up to a laughter on my account, because the Catalan team propelled by the magical offense trio from the Southern Cone of South America (Argentinean Messi, Brazilian Neymar, and Uruguayan Suárez) had surprisingly lost by 0 x 4 to Paris Saint-Germain, in France. Laughing, he asked me if I was upset. I asked why. He answered with a question: “Aren’t you a Barcelona fan?” I said no. He insisted, “don’t you root for Neymar? What is your team in Europe?” I replied that many European teams have one to five Brazilian players, and that I had no reason to root for Neymar in particular or any European team, since I have my own team in Brazil, Atlético Mineiro, aka Galo, and feel no affection or personal attachment to any European squad.
Honestly, if I root at all, I prefer wishing the best to the underdogs, not the powerhouses like Barcelona, Bayern Munich, Chelsea or Real Madrid. Indeed, my usual non-alliance frees me to enjoy soccer as art, for art’s sake. I do not suffer anxieties watching those games, unlike the way I root for my squad from Belo Horizonte.
I asked my friend, who is a native from Jamaica, what his favorite team was. He told me it was Arsenal, one of the most successful teams in the United Kingdom. In that European tournament, teams play once home and once away. The combination of both scores determines who advances to the next playoff phase and who falls through the cracks.
Well, well: the world of soccer has its myriad ironies, sometimes, multiples “revenges” after one single loss. This time around, there were three “soft revenges” to my friend’s mockery. Yes, soft, because my team and my loyalty were not the target, even though my colleague had poked me, as if he had something to bug me for. Just a couple of days after that short chat, my colleague’s team lost to Bayern Munich by 1 x 5 in Germany, the same difference of goals between Barcelona and Paris Saint-Germain.

I would have joked about it, had I seen my colleague after that game. In fact, I have not seen him yet. It will be a cheerful occasion for me, because, if Arsenal already lost “big” in that first game, it also lost the second match, by the same shameful score, just a bit worse: at home, in front of its own fans. Now, to round this up, “my” European team executed a sort of miracle: Barcelona demolished Paris Saint-Germain, 6 x 1, in Spain. I know, I know: it’s just a game! But how fun it is to come around after an unforgettable debacle. Brazil’s national team reawakening did not solve the country’s real problems, and there was no panacea this afternoon in Barcelona, but life does go on now a bit brighter and pleasantly more cheerful.

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Auto-Retrato



Auto-Retrato

Desde pequeno tenho sido uma pessoa extrovertida. Para mim, compartilhar é um imperativo. É como respirar. Por isso sou tradutor, e foi uma tremenda honra passar para o inglês o livro Um homem iluminado, a biografia de Tom Jobim escrita por sua irmã, Helena Jobim, e publicá-lo aqui nos Estados Unidos. Por querer compartir ao máximo que posso, escrevo crônicas que ocasionalmente saem no jornal A Voz da Cidade, de Paraguaçu, em meu blog Ponteio Cultural, e em livros, jornais e revistas editados no Rio de Janeiro, Miami, e Fall River, Massachusetts. Pela mesma razão, fiz-me professor universitário, com artigos publicados na Bélgica, França, Inglaterra, Peru e Taiwan, entre outros países, e também adoro dar palestras dentro e fora do mundo acadêmico. Pelo mesmo ímpeto, sou DJ voluntário de uma estação de radio FM há quinze anos, junto à Universidade de Massachusetts Dartnmouth, onde leciono literatura brasileira desde o ano de 2000. Meu prazer é enorme e intraduzível em palavras, ao selecionar e tocar canções para ouvintes espalhados pelo mundo afora, via internet, como se amigos meus estivessem em minha casa e eu os recebesse aos sons de uma MPB, um fado, ou uma coladeira.
Tenho praticado outras formas de expressão. Recentemente, o Museu da Baleia de New Bedford deu-me a honra de montar uma exposição que reuniu, exclusivamente, 18 de minhas fotografias: Acquaviva: Águas e Humanos do Brasil e Portugal. São resultado de uma vida de viajante. A condição de estrangeiro nos Estados Unidos, cuja família brasileira permanence inteirinha no Brasil, me faz voltar frequentemente ao país natal. Por outro lado, enquanto professor universitário tenho tido a chance de visitar vários países para apresentar meus trabalhos acadêmicos. Nos últimos três anos, por exemplo, estive em nove países, alguns dos quais com enorme inspiração para uma alma fotográfica – entre eles, Egito, Escócia, Irlanda, Grécia, Marrocos, e Turquia.
De fato, minha atração pela criação e reprodução de imagens tem crescido gradativamente ao longo dos últimos oito anos, até quase chegar ao nível da obsessão. Assim me tornei um fotógrafo amador prolífico e incansável de todas as coisas, grandes ou pequenas, próximas ou a anos-luz de distância. Minhas lentes podem recair sobre uma cidade inteira, como a de Paraguaçu, vista da serra da Matinada, ou sobre os gigantes paredões da costa rochosa de Sagres, no extremo sul de Portugal. Minhas fotos também podem ser de pequeninos insetos, gotas d’água, ou de flocos de neve. Sem dúvida, porém, estes são meus temas favoritos: a lua, o pôr do sol, nuvens, árvores, flores, estradas e janelas. Acima de tudo, contemplo e retrato as águas, como as dos açudes, lagos, mangues, praias, rios e riachos. Particularmente, me fascinam as imagens abstratas, impressionistas, distorcidas, e mutantes refletidas na superfície ou ao fundo delas.

sábado, 2 de abril de 2016

O Grande Dia dos Coxinhas do PT nos EUA




O Grande Dia dos Coxinhas do PT nos EUA
Dário Borim Jr.
UMass Dartmouth

“Perfil ‘coxinha’ domina manifestações pró e anti-Dilma em São Paulo”. Essa é uma manchete da Folha de São Paulo de ontem, 1 de abril, 2016. Também ontem, no segundo dia do congresso internacional da BRASA, Brazilian Studies Association, sendo realizado na Universidade Brown, instituição da Rede de Elite (Ivy League) dos Estados Unidos (como a Harvard e a Yale), pude ver muitos coxinhas em ação política. 
Aliás, como eu mesmo, lá só havia ‘coxinha’ numa sessão plenária com algumas centenas de acadêmicos. Num embate bem mais quente que uma simples brasa, venceu a ala de opinião majoritária presente na hora da votação sobre uma declaração dita em defesa da democracia e do estado de direito. Inicialmente, lá não se encontrava nem um quarto dos associados da BRASA (quando teve início a sessão). Duas horas depois, na hora de apurar votos, não se encontrava mais ali nem a metade do público antes presente. 
Éramos todos coxinhas, sim, dentro dos dois critérios – escolaridade e vencimentos – que usa o texto daquela reportagem comentando uma pesquisa realizada pelo Datafolha. Na avenida Paulista, no dia 13, na maior manifestação a favor do impeachment, diz o Datafolha, “77% dos presentes tinham ensino superior. Proporção semelhante (73%) foi encontrada na praça da Sé na última quinta-feira (31), último ato em defesa da presidente”. No quesito salário, “se dá relação parecida. Na praça da Sé, entre manifestantes pró-Dilma, metade declarou ganhar de 5 a 50 salários mínimos mensais. O índice é o dobro do registrado entre a população paulistana e guarda mais semelhanças com o dos presentes ao ato anti-Dilma da avenida Paulista (61%)”. Este é o link:http://www1.folha.uol.com.br/…/1756731-perfil-coxinha-domin… 
Reunidos na Brown, éramos todos doutores ou quase doutores de alguma ciência ou humanidades, com ou a caminho de salários bem avantajados, se comparados com o resto da população. Mas pela complexidade e profundidade do debate, não parecíamos não. Ao fim da sessão, onde se discutiram os problemas e potenciais dos estudos brasileiros nos EUA, um dos distintos coxinhas, um brasileiro como eu, apresentou um texto impresso em uma única página em defesa da democracia e do estado de direito. Houve muitos depoimentos, provavelmente um depoimento contra a adoção daquele documento a cada 10 vozes que tomavam o microfone apoiando a iniciativa. Mas pouco se discutiu sobre os problemas do Brasil e o que de fato está ocorrendo nesse período de crise econômica, institucional, legal, moral e policial. O documento apresentado, já circulando com algum alcance na internet, caiu de pára-quedas e convenceu a maioria que o aprovou erguendo os braços. 
Apesar das boas intenções (a defesa da democracia e do estado de direito), é lamentável se perceber o exagero da retórica e a manipulação dos fatos naquele texto sem autor explícito. Imaginem que o texto condena a atual hegemonia da mídia e a alienação que ela supostamente fomenta através da censura e da manipulação dos fatos como se esses abusos hoje fossem piores do que aqueles do período da mais recente e mais sangrenta ditadura militar brasileira. Por outro lado, nada se fala das ações anti-éticas do foro que veio acobertar o ex-presidente Lula da Silva em momento em que já era investigado pela Polícia Federal. 
Não se menciona o fato de que o aliado mais poderoso do ex-presidente, José Dirceu, esteve envolvido até o pescoço no maior escândalo da história política do Brasil até então, o dito Mensalão, quando parlamentares ganhavam salários mensais para aprovar medidas do governo federal, tudo sob as narinas do ex-presidente, que “não sabia” de nada. Até mesmo encarcerado o distinto punho-forte do ex-presidente não desistiu de suas negociações e enriquecimento fraudulento, atuando naquele que já se tornou o maior escândalo mundial em termos de roubo/suborno/corrupção entre políticos, as propinas da Petrobrás. No momento já se apuraram nos bancos suíços nada menos que 800 milhões de dólares desses furtos. Muito mais ainda vai ser descoberto, pelo ritmo das investigações.
Então ontem, dia da mentira no Brasil e aniversário do nefasto golpe militar de 1964, a assembléia da BRASA votou e aprovou uma declaração política cujo conteúdo não faz justiça ao nível dos trabalhos acadêmicos desenvolvidos pelos seus constituintes. Muito se falou naquela sessão sobre o dever que tem o intelectual de se posicionar publicamente sobre as crises. Houve de fato uma primeira votação que aprovou por vasta maioria, quase unanimidade, a moção para que a BRASA se manifestasse de algum modo sobre a crise brasileira. 
Infelizmente o que se fez foi uma pobre expressão de politicagem tendenciosa que ignora o que maioria dos brasileiros já vê, sem nenhum PhD: que o país está mal, muito mal, e só poderá encontrar uma saída, mesmo que penosa, através da justiça e da punição, doa a quem doer, onde ela couber pelos trâmites da lei, para todas as pessoas, sejam elas parlamentares ou apoiadores de centro, direita ou esquerda, ou nada disso, pois sabemos muito bem como dançam entre essas posições os nossos representantes e os outros tantos poderosos de nossa sociedade. Impeachment está na constituição, e deve ocorrer quando um Collor da vida ou outro bandido ou "presidenta" (sic!) for legitimamente condenado/a. Golpes, esperamos, nunca mais, nem aqueles de se virar ministro no cair da noite para se fugir da polícia. (Ver abaixo a declaração, na íntegra.)


quinta-feira, 17 de março de 2016

Artefacts of Metaphorical Light



Artefacts of Metaphorical Light
Dário Borim Jr.

Speech is one of the human actions that most often reacts to what we hear. We absorb the world’s voices and respond to them with our lungs, tongues, teeth, lips and the rest of our phonological system to create sounds and their linguistic signs. When it comes to seeing, we have no specific reaction. We have no internal system that draws any sketches or sends out any light back to the external world, in response to the light that reaches our eyes and the rest of our physique. We do not produce or project light beyond the tiny confines of our optical lenses. However, there is internal communication inside of us, of course, from our eyes to our brains, and from that dialogue, among myriad other dialogues within ourselves, there comes the chemistry of emotion, the power of inspiration, and the magic of creation. While we see things, we also imagine and remember things. We build images outside ourselves. 

According French thinker Jacques Derrida and Brazilian poet Silviano Santiago, our hands take the charge of composing such images – for example, by painting or by writing poetry. Actually, our whole bodies sketch images through dance, music and other visual and performing arts. With our neurons and the rest of an entire orchestra of thousands of instruments in harmony and synchrony within each of us (a metaphor brilliantly sustained by Portuguese neuroscientist António Damásio), we forge and foreground, l would say, artefacts of metaphorical light.

Reacting to what we see, and that may very well be what we seek (or imagine) to see, as well as to what we think (visually or not), artists reproduce and transform what exists. So, with our hands, feet, or our bodies as a whole, we, humans – actors, dancers, sculptors, writers, painters and photographers, in particular – create or suggest what can, could or will exist. For some of us, painters, set designers and photographers, light is the most basic element to examine and to employ. It is no surprise that etymologically speaking, the word “photography” combines the Greek terms photo and graphe to mean nothing but “drawing with light.” Light and color, light and movement, light and shadow – these are definitely major dynamics that shape and reshape what we see and the images we can create and disseminate through art. It is probably fair to infer that the penchant for some sort of image creation is as old as the human capacity to think abstractly and dates back to the days, when we still lived in caverns and had not invented the wheel or, of course, the camera, first built by British scientist Fox Talbot, in 1839. 

For British art critic John Berger, what served the place of the photograph before the camera’s invention, something even older than engraving, drawing and painting, was reflection. (I must be a very primitive man, since reflection, as I will mention later, is one of my favorite photographic subjects.) American writer and activist Susan Sontag is right when she argues that a photograph is not just an image or an interpretation of the real, but something “stenciled off the real,” for which her metaphors are “footprint” and “death mask.” Even though the human eye and the camera lens register images of an event through their sensitivity to light, what the camera does and the eye can never do, explains Berger, is “to fix the appearance of that event.”

As I recall it, I was probably excited about printed photographs of memorable events, loved ones and familiar objects as early as many other children did. In my case, that was more than half a century ago. In the last nine years, though, my own penchant for reproduced images of people and nature has gradually neared a state of obsession. As a result, I have become a prolific and unrelenting photographer of all things, large or small. They include entire towns, like my birth-town, Paraguaçu, in Minas Gerais, and minute insects, like flower bugs. Undoubtedly, though, these are some of my favorite subjects: the moon, sunsets, clouds, trees, flowers, roads, windows, and, most of all, water bodies of all kinds, particularly the abstract, impressionistic, protean, static, or wobbling images on their bottom or surface.

Another major component in the development of my photography is travel. As a college professor, I have been fortunate to give lectures and attend conferences in various corners of the world. In the last three years or so I have visited and photographed nine countries with mesmerizing human and natural attributes, such those in Egypt, Greece, Morocco, and Turkey. The photographs selected for this exhibit convey images from the two of the countries I have visited the most: Brazil, where I was born and raised, and Portugal, from where the Brazilian language and most cultural roots have come. The selection comprises three parts: three images with neon effects, seven shots of water bodies and four of unknown people. They span the south and southeast regions of Brazil, plus the south, north and central parts of Portugal.

Dário Borim is Professor of Luso-Afro-Brazilian studies at UMass Dartmouth. Apart from a passionate photographer, he is a blogger, a concert producer, a creative writer, an Internet/radio show host-programmer, and a translator. He has produced and presented the music and culture show Brazilliance on WUMD (89.3 FM) since December 2001. Among his books is the advanced Portuguese textbook Crônicas Brasileiras: A Reader (U. Press of Florida, 2014), the English version of Helena Jobim's Antonio Carlos Jobim: An Illuminated Man (Hal Leonard 2011) and cultural studies volume of essays Perplexidades: raça, sexo, e outras questões sociopolíticas (Eduff 2004). His current research interests relate the senses to memory, and thought processes to life narratives. Borim’s creative nonfiction appears regularly in magazines, blogs and newspapers. His academic texts, mostly focused on the interplay of literature and music, have been included in distinguished volumes, such as Music and Dictatorship in Europe (Turnhout 2010), and Latin America and Bodies and Biases: Issues of Sexualities in Hispanic Cultures (U. of Minnesota Press 1996). Other books and periodicals from Belgium, Brazil, France, Peru, Taiwan, United Kingdom, and the United States have featured his writings.