sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Futebol em Pequim


Dário Borimm Jr
dborim@umassd.edu

Fiquei muito triste e pensativo depois de duas partidas nessas Olimpíadas de Pequim: a do Brasil que perdeu feio para a Argentina, no masculino, e a do Brasil que perdeu triste para os Estados Unidos, no feminino.
Sim, temos estrelas individuais: uma Marta e um Ronaldinho Gaúcho, um Diego e uma Cristiane. Observei como que até as brasileiras menos famosas da defesa e do meio-campo são boas de bola: controlam, driblam—fazem o que querem com muita intimidade e criatividade. Mas não sabem o que é melhor para o grupo e acabam se esforçando muito, individualmente e, por isso, de modo vulnerável à equipe.
Então o que nos falta? É estratégia tática (na defesa, meio-campo e ataque) e rigor na disciplina, seja ela individual ou coletiva. Aqui não há espaço para discutir cada uma dessas falhas, mas vale a pena coletar alguns exemplos e argumentos.

Na terça-feira o Brasil claramente entrou em campo despreocupado e destituído de qualquer tática ou plano para anular o grande jogador argentino, Messi. O rapaz tinha espaço e liberdade para jogar. Isso me faz pensar: Seria arrogância ou displicência? Ou ambas? Será que um Dunga da vida pensa em como se preparar taticamente, de modo especifico, para um determinado jogo? Acho que não. Entra o time em campo num oba-oba, num otimismo irresponsável ou numa má-fé de quem pensa que ganha a equipe que tem o maior número de estrelas ou a mais alta média de talentos individuais. Isso é muita ingenuidade num esporte coletivo tão equilibrado, dentro do Brasil (como se vê no Campeonato Brasileiro, onde apenas três pontos fazem um time subir ou descer várias posições na tabela), e no resto do planeta (como se constatou nas últimas copas do mundo, em que nenhum time se mostrou extremamente superior aos demais).

O Brasil nunca vai jogar futebol como se fosse um time de robôs, é claro, mas um milhão de vezes já se provou que só entusiasmo e brilho individual não ganham nem copa nem medalha de ouro. Não tenho dúvida de que Dunga seja um homem inteligente, senão não teria chegado aonde chegou, mas ele não é estrategista e não tem experiência nessa área. Por exemplo, será que Dunga treinou a equipe para enfrentar retrancas fechadas, como foi a de Camarões? Será que treinou a seleção para enfrentar equipes que faziam pressão sobre o Brasil desde a saída de bola, no campo do Brasil, como fez a Argentina? Acho que não.

Acho que o Brasil só joga bem quando os adversários nos permitem espaço e liberdade para criar, e hoje isso ocorre com muita raridade—pois o tempo da inocência já acabou. Os demais times estudam e encaram o Brasil com estratégia e seriedade. Pior ainda, muitos dos nossos técnicos não apenas deixam de se preocupar com o estilo das outras equipes antes dos jogos: eles não estão acostumados a descobrir e adotar novas táticas em pleno jogo, em função de como os adversários estão jogando.

De novo vem a história do oba-oba dos alegres e bacanas, que vira corre-corre dos aflitos e despeitados (frente aos rivais platinos), ou das aflitas e chorosas (como as nossas jogadoras após o jogo com os Estados Unidos). A equipe norte-americana não tinha uma Marta, e era uma equipe obviamente inferior à nossa em termos de habilidades individuais, mas era uma equipe que jogava de modo coeso, eficiente e objetivo. Fortes psicologicamente, elas estavam conscientes de que só unidas poderiam vencer. Objetivos, seus técnicos treinaram-nas para sustentar posturas sólidas de defesa e de ataque—uma estrutura planejada e ensaiada e, como tal, com maior chance de ser sucedida.
Improvisação, minha gente, tem seus limites. Vamos primeiro unir habilidade, estratégia e consciência coletiva—aí, sim, poderemos pensar, quem sabe, que nada nos vai separar do próximo ouro e da próxima copa do mundo.

Um comentário:

djborim disse...

Olha Dario Jr, estou feliz por estarmos juntos no Orkut. Estive dando uma olhada do seu blog e achei fantástico, cara. Vc realmente sabe tudo sobre literatura, música e futebol. O que vc disse sobre a seleção do Dunga é a pura realidade: bons nomes mas nehum espírito de equipe. E o Ronaldinho G. , o Dunga não foi capaz de lembrá-lo de q as grandes férias acabaram. Entra no Orkut da Silvia, ela ganhou mais uma menina!!Bjus.