sábado, 13 de setembro de 2008

Milton & Muito Mais


Dário Borim Jr.
De repente o sul da Nova Inglaterra foi invadido por músicos e escritores luso-afro-brasileiros. Até parece conspiração das artes lusófonas na Terra do Tio Sam. Nem sei por onde começar. Talvez deva respeitar a ordem dos termos do título desta crônica, que, aliás, nasceu antes dela—coisa rara para mim, que gosto de explorar as possibilidades de um título até o último minuto antes da publicação.

Então, não é boato não: no dia 11 de outubro vai se apresentar no Zeiterion, o lindo teatro no centro de New Bedford, a 15 minutos de carro da minha casa, o grande Milton Nascimento, o Milton do Clube da Esquina, de Belo Horizonte, aquele lá da simpática cidade de Três Pontas, a 25 km em linha reta do hospital de Paraguaçu, onde nasci. E não vem sozinho. Estará com ele o Trio Jobim: Paulo, filho mais velho de Tom Jobim, no violão; Daniel, neto do maestro, no piano; e o grande Paulo Braga na batera. A rua em frente ao teatro vai ser fechada para trânsito de carros e, imaginem, a partir das 6 da tarde vai-se vender feijoada, salgadinho, e caipirinha ali, em pleno asfalto! Aí vem concerto do Milton & Trio Jobim, certamente trazendo lágrimas aos rostos dos mais sensíveis.

A noite, porém, não vai terminar com as cortinas do teatro dizendo adeus. Lá fora a festa vai continuar com mais música ao vivo e dançarinas contratadas para animar os mais tímidos. Este será apenas o começo de um ano cultural recheado de atrações, ano que o Zeiterion dedica ao Brasil a partir de outubro. Em 15 de novembro, por exemplo, apresenta-se uma companhia de dança chamada Nascimento & Nascimento Novo. Em 20 de fevereiro, o famoso grupo DanceBrazil, de Salvador, Bahia, faz um espetáculo de capoeira, no dia seguinte ao de um workshop dessa arte afro-brasileira, também oferecido pelo Zeiterion. A oficina será dada pelo mestre Vieira, a quem o Centro Cultural Brasileiro de Boston reconhece como pioneiro da capoeira neste país. A noite de 19 de fevereiro será longa, com um verdadeiro Carmaval no Café Funchal, em New Bedford.
Nos dias 13 e 14 de março será a vez da grande diva do fado, Mariza, se apresentar no Zeiterion. Ela também vai cantar no Centro de Artes Jorgensen, da Universidade de Connecticut, em Storrs, na noite de 21 de fevereiro.
Lá mesmo em Storrs, em 28 de outubro, haverá um espetáculo da Orquestra Filarmônica Brasileira, sob a batuta de Gil Jardim, interpretando peças de Heitor Villa-Lobos. Um terceiro grande evento no mesmo teatro Jorgensen será o dos irmãos brasileiros Sérgio e Odair Assad, exímios violonistas, em 16 de outubro.
Providence e Boston não poderiam ficar de fora dessa longa série de eventos. No dia 17 de setembro, na Universidade Brown, dois entre os mais renomados escritores lusófonos da atualidade, o português José Luís Peixoto e o angolano José Eduardo Agualusa, farão leituras de suas obras. Já na capital de Massachusetts, no dia 25 de setembro, António Lobo Antunes, excepcional romancista luso-africano, é o tema de um colóquio co-patrocinado pelo Centro de Estudos Portugueses da UMass Dartmouth.

Por falta de espaço, e por ser hora de concluir esta crônica, ficam aqui apenas mais dois convites. Em Boston, no auditório da Berklee, escola de jazz mais famosa do mundo, a afinadíssima cabo-verdiana Lura faz show em 12 de outubro. Antes dela, porém, se comemoram 50 anos de bossa nova no Berklee Café com o espetáculo do pianista César Camargo Mariano, acompanhado do violonista e arranjador Oscar Castro Neves. Na verdade já estou até tonto de tanta tentação. Aliás, gostei desta aliteração tripla de três Ts e quase quis (outra aliteração) trocar de título para esta crônica. Os TTT ficam, então, como um subtítulo quae sera tamen: Tonto de Tanta Tentação!

5 comentários:

cristina disse...

Ei Darinho, te achei aqui e fiquei tão feliz! Dj e tudo mais! Já sabia que era escritor por causa do Estado de Minas mas tive gratas surpresas aqui. Me acho uma pessoa melhor pq te conheci. Se quiser me escreva cristinarcoelho@gmail.com, sua eterna issima, lembra? Beijos. Cristina Rocha Coelho.

djborim disse...

Oh meu Deus! Nem acredito: a ISSIMA!!! Sera' mesmo ela/voce? Puxa, que saudade e que vontade de saber que voce ainda existe!!! Obrigadao por fazer o contato, viu Cris? Voce esta bem? Espero que sim.
Acabo de chegar do Brasil, alias (faz 20 minutos que estacionei o carro), numa viagem relampago e cheia de emocoes maravilhosas e alguns pepinos de amargar--mas em geral foi fantastica a viagem. Te conto mais depois.
Voce usa Skype? MSN? Yahoo Messenger? Orkut? Uso todos esses e adoraria conversar com voce, que foi muito importante na minha vida. Gostaria muito de merecer nossa amizade pro resto da vida. Da minha parte, somos amigos ISSIMOS ate' o fim dessa vidinha mais ou menos que a gente leva aqui na terra. Beijos, Issimo.

djborim disse...

Caro Dário,
É de facto extrordinário o que você escreveu na
sua crónica. Concordo que nunca tal concentração
de cultura luso-afro-brasileira teve lugar nesta
região, ou talvez em qualquer outra região no país.Um abraço,
Frank

djborim disse...

Caro Dário,que bom receber essa sua crônica. Decididamente, estive na UMass no semestre errado. Teria aproveitado muito mais se estivesse aí agora, com essa intensa (e bonita) programação luso-afro-brasileira.Tudo bem contigo? De quando em quando, escuto os CDs de seus programas. São ótimos!Me dá até vontade de fazer alguns programas na rádio dos nossos estudantes, a Rádio Muda...Já me comprometi com um sobre o Sun Ra. Só não sei exatamente quando terei tempo para fazê-lo! Estou trabalhando muito neste semestre, lecionando duas novas disciplinas, escrevendo, além de algumas viagens de trabalho que acabam sendo o "too much." Vou para Manaus, na próxima semana e, ainda em outubro, para Buenos Aires. Gosto deste "too much". AbraçosBela

djborim disse...

Dario,
Amei suas cronicas...
Estaria abusando e pedindo muito se vc me enviasse qdo fossem publicadas?? Eu sei q posso entrar no seu blog... mas tenho medo de esquecer no corre corre daqui do Consulado.
Um grande abraço da fã q vc conquistou hoje.
Nilcea