quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Labuta ou Lazer?


Minha carreira profissional se mistura a minha sede de lazer. Faz muito tempo que isso ocorre — desde 1982, quando troquei de roupa, de chapéu, ou melhor, me re-encarnei mesmo, sem ter morrido. Romanticamente abalado até o osso e decepcionado com a falsa ciência de se construir rápido e barato (mas cobrar caro), eu simplesmente me despi de uma fantasia: uma carreira na engenharia civil. Logo após o Carnaval daquele ano, imitei Che Guevara sem motocicleta. Juntei meus trapos e meus livros do Fernando Gabeira para logo encarar uma longa estrada pela América do Sul rumo à América do Norte. Atravessei por terra e ar sete países em quatro semanas. Depois tive que experimentar os primeiros sabores de três outros cursos universitários (psicologia, geografia e pedagogia) em três diferentes escolas americanas, até que a ficha caísse. Acabei virando outra pessoa quando percebi que tinha certa vocação para as letras.

Passaram-se muitos anos, mas na labuta ou no lazer, continuo me ocupando com palavras. Há um ano e meio assumi um difícil compromisso junto à Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos: ler 62 livros e escrever umas “coisinhas” para publicarem num livro bianual daquela instituição, a maior biblioteca do mundo. Estou frito, pois o prazo está acabando exatamente daqui a uma semana e ainda tenho três volumes a dissecar, além de um ensaio a redigir, e nem sei quantas sinopses a concluir para o mesmo projeto. Todos os livros são coletâneas de crônicas brasileiras, quase todos deliciosos de ler — entre eles um de nosso querido conterrâneo Jeferson de Andrade. Num só volume há 101 delas. Oh Gerarda, diria eu num agitado barzinho de Belo Horizonte, se por lá estivesse, neste momento, e não aqui, nesta madrugada cinzenta e úmida de Massachusetts.

Então me veio uma dúvida cruel: nas próximas horas devo ler mais uma dúzia de crônicas de Mário de Andrade ou escrever minha própria crônica para A Voz da Cidade? Labuta ou lazer? Quem sabe consigo fazer as duas coisas, com uma pequena ajuda dos meus leitores que vão aqui comentar minha crônica anterior, “Belos Horizontes”. Sem o saber — e sem querer me processar por plágio, espero — vocês estarão contribuindo, mesmo que anônimos e em forma de palimpsesto, para mais uma edição desta coluna. Vamos lá!

Ficou muito boa! Belo Horizonte agradece. Sou mineira de coração. A próxima vez que tu ficares perdido em Atlanta, chama a gente! A crônica ficou maravilhosa! Sabe que quando você termina a crônica dizendo do nosso privilégio de ficar aos pés da serra do Curral me vieram três coisas na cabeça, esse luar maravilhoso visto por lá, o Parque das Mangabeiras e o Parque Municipal. Sei que existem milhões de outros atrativos nesta grande cidade pra você escrever, mas é que estes três lugares são Darinho pra mim. Agradeci a Deus por ser belo-horizontina depois desse encerramento! Com o coração cheio de esperança que tudo ainda vai melhorar e dar certo pra mim! Ficou maravilhoso o texto, como sempre!

Eta trem bom..., nem me fala que delícia é a sua terra! Gostei! Como sempre um texto apaixonado e muuuito bonito. Para mim, Belo Horizonte é tudo o que diz o título. Acho a cidade muito bonita e foi um presente conhecê-la em uma viagem a Minas Gerais que também passeou pelos arredores dos Horizontes. É claro que, diante de tantas coisas lindas que foram ditas, ainda cabe ressaltar — porque indiretamente você trouxe o tema — a presença grandiosa dos autores que se relacionam aos horizontes belos e às gerais de maneira contínua. A cultura transborda e a gente aproveita!

Não é que o texto ficou bom demais, sô! Uai, mas você não se esqueceu de nada! Muito bom seu texto. Mais uma vez, a sua "mineiridade" transparece azul e leve, entre suas palavras. Uma crônica de "peso"! Passeei pelas localidades que você descreve, sonhei com as intuições e maravilhei-me com seu estilo... sem redundância... personalíssimo!

Legal e muito bem escrita. Ficou linda... Concordo com tudo, que paisagem linda e... que belo encerramento de seu trabalho! Nós e BH adoramos receber você aqui. E viva o céu de Belo Horizonte! Muito poética e inspirada. Apaixonante! Pude até ver este "céu-mar" cristalino e o grupo de dança Corpo (que adoro) dando o seu show lá na terrinha! O seu pai já havia me ligado e falado sobre esta sua nova cria! Ele gostou muito e falou todo empolgado sobre a mesma. Valeu, Dário. O legal é "ver" Belo Horizonte através dos seus olhos, que, compreensivelmente, são bem mais românticos do que os nossos que vivem aqui. Um abração e boa semana.

9 comentários:

Mauricio disse...

Caro Darinho!
Bom dia,
Estive passeando em seu Blog, faz muito tempo que queria fazer e hoje foi o Dia, parabens pelas sua crônicas e a sua chama de "BOM MAROLEIRO". Sobre mim, moro em Recife desde 1987, sou casado, tenho tres filhos, sendo que um forma em medicina agora em dezembro, Marcelo esta morando aqui em Recife também.
Um forte Abraço,
Mauricio (MAROLÈ)

Valeria disse...

Entendi que queria nos deixar algo enquanto precisava voltar pro trabalho, mas de verdade, gosto mais quando fala de vc... ou do que pensa. Talvez pq já leia todos os comentários... senti uma pontinha de quero mais. Elocubrações entre prazeres e obrigações, que as vezes parecem proximos (escrever/ler) e na verdade tão distantes. Adorei o começo,quando fala tão romanticamente da sua escolha profissional,desde a faculdade que largou até hoje, com grandes responsabilidades pela escolha da carreira que escolheu. Mas, pra mim, o grand finale seria com mais coisas sobre vc,e não o que dizem de vc. Lembra da nossa conversa sobre as 3 visões: o que achamos que somos, o que pensam de nós e o que achamos que pensam de nós? Pois é,eu gosto da parte do que achamos que somos pq é nosso eu real que tenta se expressar de diversas formas, e gosto de te encontrar nestes textos mensais e ver como se desnuda na frente de tantos que são assiduos leitores como eu. Fica a saudade pra matar no próximo mes e te desejar muuuuuuuuuuuita sorte pra entregar tudo a tempo! rsrsrsrs XXX

Frederico disse...

Acabei de ler sua última crônica no BLOG. Gostei da sua história. Sempre digo aos meus colegas: O trabalho tem que ser prazeroso, senão torna-se castigo diário.

Olivia disse...

Ah, ficou ótima! Pra mim tá "supimpa" (ai que gíria antiquada... hahaha), todos vão adorar! Gostei de ter mencionado e comparado sua aventura à do Che. Ficou ótimo! Beijo!

Thiago de Mello disse...

Sei que V. deve estar muito orgulhoso. Corre no sangue, mesmo não sendo Mineiro!
Acrescento aqui um pedaço de um poema de meu mano, o poeta Thiago de Mello. Depois de ler o texto enviado, sinto que o que foi escrito nos vários trabalhos, vem do fundo, da alma, da raiz!

Aquí está:
"A palavra em que me amparo,
Esquiva-se a meu jugo.
E por isso, raro canto.
Porque a palavra que sai da boca
É sempre inútil, se o sopro
Não vier do coração!"
__

Um grande abraço,
Thiago de Mello
O outro, o compositor

Sé disse...

Querido Darinho, mais uma vez a sua inteligência veio à baila!
Sua nova cria, mostra o seu despojamento e simplicidade, atitudes próprias de um homem bom, ao permitir que o pensamento de amigos, inclusive o meu, nascesse novamente, na sua bela crônica, sem lhe tirar mérito algum; pelo contrário, tornando-o ainda maior!
Eu o admiro muito, sei da sua competência e criatividade!
Sei, também, que o distinto cavalheiro está de vento em popa!
Aproveite, amigo e todos nós lucraremos!
Acredito que tanto a labuta quanto o lazer, no seu caso de apaixonado pela escrita, um complementa o outro e o enriquece ainda mais!
Pela labuta você se envolve com as mais nobres e variadas inspirações e as absorve por completo.
Pelo lazer, tudo que ficou na sua alma, está por vir!
(Sorte nossa!!)
Acho este elo lindo demais!
Um beijo, Sé

Silvana disse...

A crônica ficou muiuto legal , do coração mesmo, e os comentários dos leitores-fãs também fizeram juz ao espírito do escritor! Parabéns rmão por ser tão inspirado e tão querido! Bjinho Nina

Maria José disse...

Legal Dario !!!!
Parabéns!
As tortas são mais saborosas quando são repletas de recheios saborosos !!!!!
Beijos
Maria José

Carla disse...

Nossa por essa eu não esperava!! Os comentários viraram crônica!! Isso que é criatividade e "jogo de cintura" para dar conta de tudo, bacana! E que história de vida a sua, hein Brother!! Aí vai uma dica: que tal uma auto-biografia?! Quer dizer, na verdade, acho que em cada texto que você escreve tem um pouquinho (ou "um poucão")de você, não é mesmo?!! Beijinhos e parabéns!
Cacá.