sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Woodstock de Paraguaçu

Fotos de Alexandre Borim Codo Dias


Dário Borim Jr.
dborim@umassd.edu 


As analogias não são meras tentativas de dizer algo por comparação, apesar de que, por natureza, sejam incompletas: exageram um pouquinho aqui ou se esquecem daquilo ali. Mesmo assim não as abandonamos porque podem explicar algo em poucas palavras ou tornar a comunicação mais picante, mais audaciosa. Por isso digo que o espetáculo organizado por minha prima (e primeira professora) Selma Sólia Násser em homenagem aos cem anos da música e dos músicos da nossa cidade foi, como bem o disse meu cunhado José Codo, o Woodstock de Paraguaçu.
Não havia roqueiro drogado, não se endeusaram mágicos malucos, não fizeram o show ao ar livre, não rolou sexo livre, e a cantoria não durou três dias. Porém, foram três horas de deleite inebriante, de prazer sensorial superior a muito amor carnal que "fica" por aí. O "Cem Anos de Música" realizou-se num teatro muito charmoso, e fez tributo a muita gente talentosa (como José Purífico e Célia Prado) que já faleceu há décadas. Como em Woodstock, entretanto, ouviu-se muita música boa, reuniram-se, ao vivo ou através do telão, um grande número de artistas, e ficaram para sempre gravadas na memória do público a melodia e a poesia de um povo tão extraordinariamente ligado a música.
Foi o nosso Woodstock, sim, principalmente, porque, infelizmente, podemos crer que jamais haverá outro, já que Paraguaçu não fará 100 anos outra vez e, quando outro número redondo assim surgir na nossa história, digamos, quando a cidade comemorar seus 150 ou 200 anos, estaremos todos ou quase todos nós mortos, bem mortinhos. Mais grave ainda: certamente não haverá outra Selma Sólia Násser para organizar tão bem um evento de tanta importância e tanta complexidade artística como foi o nosso Woodstock, realizado a 24 de setembro de 2011, no Teatro Donato Andrade.
Aceita aquela ideia geral de analogia, quem sabe encontremos outros pontos de contraste e semelhança. Ao invés de Jimmy Hendrix tocando a guitarra com os dentes, ou sapecando o hino nacional dos Estados Unidos em acordes dissonantes (visto a sua indignação com o papel do seu país na Guerra do Vitenã), tivemos um Rogerinho Salles cantando "Emoções" de Roberto Carlos e levando a platéia ao delírio (como diria Galvão Bueno) ao espalhar pétalas de rosas por onde passava. Se o festival de música numa zona rural do estado de Nova Iorque teve umas Mamas em Papas cantando "California Dreaming" ou qualquer outro de seus grandes sucessos, o Woodstock de Paraguaçu teve as gloriosas GANDS, banda lendária dos anos 60 que jamais deveria ter interrompido sua carreira musical. 
Entre os que estavam vivos àquela época e presentes aos sensacionais programas de domingo na Liga Operaria (a série Donato de Andrade Show), e que permaneceram vivos e espertos o suficiente para não perderem o grande evento na Praça Osvaldo Costa, inclusive meus pais, Dário e Lucci, não havia dúvida: Glória Sólia, Ângela Morais, Níobe Cardoso, Daciene Mendes e Sílvia Borim (mantendo-se os nomes daquela época) continuam súper-talentosas e ultra-charmosas. As GANDS arrasaram, como disseram muitos espectadores depois que voltaram para suas casas e se deram conta de que tinham presenciado um evento histórico da melhor qualidade e da maior importância para nossa cidade.
Por um momento, tantos de nós Paraguaçuenses ausentes, como Cristina Schmidt, em Goiânia, Lília Borim, em São Paulo, Rosa Mignacca, ou este saudoso cronista-professor-DJ, em Dartmouth, Massachusetts, desejamos que, diferente de Woodstock, o festival de música de Paraguaçu se repetisse, sim, e logo! À distância nós ficamos muito felizes com o videoclipe "Cem Anos de Música," realizado por Selma Sólia Násser e narrado por Gresse Leite Prado, mais um belo registro histórico que nosso querido e sábio Guilherme Prado editou e postou no FaceBook exatamente no mesmo dia em que o grande musical encantou a centenas de pessoas, em pé ou assentados, ao Teatro Donato Andrade. Ficamos muitíssimo gratos por essa canja audiovisual, maravilhosamente acessível pela mágica da internet aos quatro cantos do mundo, mas, sinceramente, queremos mais, queremos um segundo Woodstock de Paraguaçu, já -- uma segunda edição dos Cem Anos de Música para quem perdeu a primeira e para quem dela saiu com uma convicção e um desejo: "bom também, e queremos mais!"

16 comentários:

Nedinha disse...

Ei Darinho
Boa, muito boa a sacada Woodstock de Paraguaçu!!
Adorei o vídeo tb.
Sinto sempre saudades e uma pontinha de orgulho quando ouço ou vejo a "Tia Selma" em performance; claro, pelo privilégio de a ter tido como 1a professora...
Parabéns mais uma vez.
Pela reedição do Woodstock de Paraguaçu JÁ!!

Silvana disse...

Bela cobertura, meu irmão -- o evento deve ter sido mesmo inesquecível, igualmente inesquecíveis tia Selma com sua iniciativa brilhante e os participantes convidados! Bjo Silvana

Sílvia disse...

Ótima analogia, Darinho!
...e eu estava lá!
Beijos
Sílvia

CRISTINA disse...

Darinho, o Woodstock de Paraguaçu, foi, sem dúvida um marco para aqueles sensiveis a boa música e amantes de nossa terrinha natal.Suas palavras expressam muito bem nossa emoçao de estar longe e nao poder compartilhar este momento único!!!!! PARABÉNS!!!!

Frederico disse...

Parabéns Darinho!!! Aprecio muito seu estilo literário!!!!
Muito inspirado....
Um grande abraço!

Carla disse...

Esse show deve ter sido mesmo imperdível! Gostaria de ter estado presente. De qualquer maneira, parabéns aos organizadores, aos artistas e ao público! E à você, querido tio, por fazer o registro em palavras desse evento. Algo que, também, ficará para a posteridade!
Beijos, Cacá.

Rosane M. Prado Morais disse...

Darinho parabéns pela matéria, 'tia' Selma sempre antenada e surpreendente. Pena que ñ estava lá. Me lembro como se fosse ontem essas meninas tocando e cantando no jardim da frente da casa dos seus pais.Saudades de todos..principalmente de minha linda prima Angela Morais.. Abraços..Rosane M. Prado Morais

djborim disse...

Rosane,

Que surpresa boa ver seu comentario aqui! Se puder, mande-me seu email.

Obrigado a voces todos! Tia Selma realmente mexeu e ainda mexe, claro, com as mentes, as maos, os ouvidos e os coracoes de muita gente.

Anamaria disse...

Darinho,
Saudade dessas meninas: Selma. Glorinha e sua irmã..saudade dessa cidade e tudo que nela tem e muita saudade do meu amigo de infãncia e muito querido até hje: Rogério.

Olinda Nasser disse...

Fantástico mesmo Darinho, nossa "Woodstock Paraguaçuense". Se eu tivesse sido avisada à tempo, teria viajado todos os 360 KM daqui até lá para assistir ao vivo.E te endosso: queremos um bis para quem perdeu! Parabéns pela excelente crônica. Um grande abraço. Olinda Nasser

Olinda Nasser disse...

Fantástico mesmo Darinho, nossa "Woodstock Paraguaçuense". Se eu tivesse sido avisada à tempo, teria viajado todos os 360 KM daqui até lá para assistir ao vivo.E te endosso: queremos um bis para quem perdeu! Parabéns pela excelente crônica. Um grande abraço. Olinda Nasser

Silvinha disse...

Garotas,
Olhem a crônica que o Darinho escreveu sobre o Recital. O mano é professor de literatura brasileira nos "estates", e como professor tem, além de suas atividades acadêmicas normais, que escrever crônicas, livros etc... e publicá-los, faz parte do trabalho dele.
As GANDS, assim como todo o evento do Recital da Selma, serviram como inspiração para essa crônica.
Olhem só o que ele escreveu sobre nós....??!!!
Como estou mandando esse e-mail com cópia a vc Dárinho, aproveito em nome das GANDS para agradecer e que estamos lisonjeadas com tudo isso, não é mesmo meninas???? Ficou ótimo o texto!!! Valeu !!!
Um beijão
Silvinha

J. Camilo disse...

Olá Dário - vi sua matéria do "woodstock". É isto que vale a pena. Estes momentos não só merecem ser lembrados como também "repetidos". E a Selma é a pessoa indicada para tal. Abraço, João Camilo

Maristela Faria disse...

Olá Darinho! Adorei ler sua página "Woodstock de Paraguaçu". Descrição maravilhosa do evento ao qual também não pude comparecer.Lamentei não ir,mas são coisas do meu destino, às quais nao posso fugir. Continue abençoado com sua inteligência, trazendo para nós suas crônicas que tocam fundo nosso coração. Abraços

Carol Nasser disse...

Oi Darinho -- tudo bem? Quanto tempo hein!!!! Adorei o que escreveu sobre os 100 anos de música. Muito bom mesmo!!!! Olha, a minha mãe - como não tem acesso e "não gosta da net"-me pediu para te agradecer pela lindas palavras que você disse sobre ela. Ela adorou, ficou super feliz, com a bola toda cheia!!!!!kkkkk. Grande abraço, saudades de você! Super beijo. Kekel/Carol

Viviane disse...

Oi D,
Estou viva,mas desaparecida mesmo! rrs
È isso aí,as vezes acontece...mas,o que é importante
é ver um e-mail nos dando boas e belas notícias de nossa
linda terrinha...Paris...guaçu...
Eita que é chic d +++ a musica de nossa "teacher" e artista Selma Sólia.
Muito grata pelo presente! bjo grande pro cê!

Vivig@ta