sexta-feira, 3 de junho de 2016

Auto-Retrato



Auto-Retrato

Desde pequeno tenho sido uma pessoa extrovertida. Para mim, compartilhar é um imperativo. É como respirar. Por isso sou tradutor, e foi uma tremenda honra passar para o inglês o livro Um homem iluminado, a biografia de Tom Jobim escrita por sua irmã, Helena Jobim, e publicá-lo aqui nos Estados Unidos. Por querer compartir ao máximo que posso, escrevo crônicas que ocasionalmente saem no jornal A Voz da Cidade, de Paraguaçu, em meu blog Ponteio Cultural, e em livros, jornais e revistas editados no Rio de Janeiro, Miami, e Fall River, Massachusetts. Pela mesma razão, fiz-me professor universitário, com artigos publicados na Bélgica, França, Inglaterra, Peru e Taiwan, entre outros países, e também adoro dar palestras dentro e fora do mundo acadêmico. Pelo mesmo ímpeto, sou DJ voluntário de uma estação de radio FM há quinze anos, junto à Universidade de Massachusetts Dartnmouth, onde leciono literatura brasileira desde o ano de 2000. Meu prazer é enorme e intraduzível em palavras, ao selecionar e tocar canções para ouvintes espalhados pelo mundo afora, via internet, como se amigos meus estivessem em minha casa e eu os recebesse aos sons de uma MPB, um fado, ou uma coladeira.
Tenho praticado outras formas de expressão. Recentemente, o Museu da Baleia de New Bedford deu-me a honra de montar uma exposição que reuniu, exclusivamente, 18 de minhas fotografias: Acquaviva: Águas e Humanos do Brasil e Portugal. São resultado de uma vida de viajante. A condição de estrangeiro nos Estados Unidos, cuja família brasileira permanence inteirinha no Brasil, me faz voltar frequentemente ao país natal. Por outro lado, enquanto professor universitário tenho tido a chance de visitar vários países para apresentar meus trabalhos acadêmicos. Nos últimos três anos, por exemplo, estive em nove países, alguns dos quais com enorme inspiração para uma alma fotográfica – entre eles, Egito, Escócia, Irlanda, Grécia, Marrocos, e Turquia.
De fato, minha atração pela criação e reprodução de imagens tem crescido gradativamente ao longo dos últimos oito anos, até quase chegar ao nível da obsessão. Assim me tornei um fotógrafo amador prolífico e incansável de todas as coisas, grandes ou pequenas, próximas ou a anos-luz de distância. Minhas lentes podem recair sobre uma cidade inteira, como a de Paraguaçu, vista da serra da Matinada, ou sobre os gigantes paredões da costa rochosa de Sagres, no extremo sul de Portugal. Minhas fotos também podem ser de pequeninos insetos, gotas d’água, ou de flocos de neve. Sem dúvida, porém, estes são meus temas favoritos: a lua, o pôr do sol, nuvens, árvores, flores, estradas e janelas. Acima de tudo, contemplo e retrato as águas, como as dos açudes, lagos, mangues, praias, rios e riachos. Particularmente, me fascinam as imagens abstratas, impressionistas, distorcidas, e mutantes refletidas na superfície ou ao fundo delas.

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